"Revenge is a dish best served cold."
Essa discussão sobre a natureza do ser humano ser boa ou ruim já é bem batida, eu sei, mas não se pode negar que a vingança é atraente para todos. Quem nunca sorriu, mesmo sem perceber, ao imaginar aquela pessoa que te prejudicou de alguma forma caindo no chão, se estatelando, espalhando todas as sacolas pela rua, e rasgando o joelho com o impacto seco no asfalto, quem sabe até perdendo alguns dentes...
Wuthering Heights, ou Morro dos Ventos Uivantes, é um clássico no assunto, que está por todos os lugares: na cabeça das pessoas, nos olhares, nas músicas (oughtta know, da Alanis), no cinema (Kill Bill), etc, etc.
Em Morro dos Ventos Uivantes a presonagem principal arrasta sua vingança por gerações, atingindo com seu sadismo ( que em alguns momentos se torna masoquismo) até a filha de Cathy, a mulher que ele amava, mas preferiu casar com outro por status e dinheiro. Em Kill Bill, ficamos sedentos de vingança por empatia a Beatrix Kiddo, a noiva, que teve todos os seus convidados, seu noivo e seu bebê, assassinados por seu ex-amante vingativo. Acabamos esquecendo que ela era também uma assassina de aluguel, e que deve ter cometido atrocidades piores do que as que sofreu. Mas ela mesmo, com sua ética samurai, deixa claro que aceitará qualquer tentativa de vingança pelo seu acerto de contas. Todos merecem morrer no filme, então, o que tem a melhor espada Hatori Hanzo vence.
Quanto a mim, tenho tentado contar até dez para esquecer a razão da minha raiva, penso no provérbio sobre uma vingança tardia e melhor. Na maioria das vezes acabo esquecendo. A vida trás coisas boas e você esquece a amargura da vingança. Mesmo assim um sorrisinho surge espontaneamente no canto da boca ao imaginar a queda....ah, a queda...


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