sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ordem das coisas

        Muitos coisas nos sufocam...lixo, barulho, milhares de coisas a fazer em um tempo impossível.
 Se deixamos, somos tragados pela imensidão de coisas que nos rodeiam. O que temos que fazer para escapar dessa garganta imensa é entender o que não se pode mudar, e lutar contra o que está sob seu domínio. 
       Deixar as coisas morrerem, irem embora, nem sempre é errado, nem sempre significa desistir. Se algo já morreu, insistir significa impedir que o novo tome seu lugar.
        A vida é muito complicada quando você é um se humano. Você PRECISA se relacionar com outras pessoas, seja para se casar, ou para comprar um pão. Tudo o que você disser pode ser usado contra você. Confesso que não gosto da seriedade das coisas que eu digo/faço. Gosto de coisas leves, de pessoas que me façam rir, de uma inteligência sarcástica, de brincadeira, de mordida, de pão na chapa com queijo, presunto, ovo e café com leite por 2 reais na cultura francesa. Não gosto de ficar com raiva. Se fico, boto pra fora na mesma hora, pra não ter perigo de se acumular dentro de mim, depois esqueço. Eu minto, admito, mas não gosto de mentiras. Até tolero, mas não às relacionadas aos sentimentos. Gostava e não gosta mais? Fala! Tinha tesão e ficou frígido? Não dá pra esconder...
        A morte nos faz todos iguais. Iguais no jantar das minhocas. O que se perde é o corpo, só...o resto nunca morre, faz parte desse mundo, e do além. Sorrisos de pessoas conhecidas dão alegria. A tristeza delas é também inevitavelmente compartilhada. O equilíbrio do caos desse mundo me faz aceitar o meu presente. É com o futuro que devo me preocupar.
       Gosto de me arrepiar ao ver uma pessoa, gosto de olhar no olho, de pensar no sorriso, de sonhar com alguém, de ficar imaginando o tal beijo que nunca encontra lugar. Quando eu era pequena queria me apaixonar. Até escolhia minha vítima. Era alguém interessante ,tinha que ser. Eu nem gostava dele, mas criava a paixão na minha cabeça, alimentava, até que me convencesse da minha posição de apaixonada. Funcionava. Eu embarcava mesmo na minha criação, mas depois lembrava que o autor do sentimento irracional era eu mesma. Queria conseguir fazer isso hoje: fingir paixão. Se apaixonar é tão bom, libera substâncias entorpecentes na sua corrente sanguínea.  

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