quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O valor do dinheiro

Quando eu tinha quinze anos e saia de casa com cinco reais achava que iria poder comprar muita diversão. E de fato podia sim, rachava um litro de vinho, às vezes dois, com uns amigos e ia beber numa praça atrás da escola. A gente ria, bebia e deitava no coreto ( se é que se pode chamar aquela porcaria de coreto) sentindo o vento balançar o mundo. Uns pirangas passavam, e em seguida um carro da polícia. Mas pra quê sentir medo? Nós não tinhamos dinheiro nem mochilas, eramos só nós, o vento e umas garrafas de vinho. Oito anos e tudo muda. Algumas coisas seriam mesmo ridículas hoje, mas essa parte de comprar o mundo com os cinco reais que minha mãe me dava seria realmente muito agradável hoje.
Hoje a diversão é mais cara, e mesmo com a grana, às vezes não posso comprá-la. E sem a grana? Aí fica um pouco mais difícil. Nunca pensei muito em dinheiro, mas quando você precisa pagar a conta de água tudo muda. Mesmo assim eu penso, e isso me é prejudicial quando externado. Não que eu seja uma louca que sai falando coisas inoportunas, o problema é minha cara. Essa traidora que não me deixa esconder as coisas, e que já me causou muitos problemas por ficar fazendo um jeitinho de desdém ou de ironia enquanto eu deveria estar concordando com o discurso de uma autoridade. Minha cara SEMPRE me denuncia. Bandida, traidora. Esse monte de coisas que tem acontecido tem me massacrado. Como eu adoraria, suspiraria num alívio tão infinito, se eu pudesse sentar na praia, olhar o mar,e beber umas cervas bem geladas, até me sentir sonolenta e sorrir de tudo. Decidi parar de beber, e agora o alívio se tornou uma pequena tortura. Que vontade de tomar essa cerveja e que vergonnha se eu não conseguir me controlar.
Mas tudo isso é besteira. O dinheiro, o emprego, os amigos, a cerveja. Tudo faz parte de um dia que não volta. Só acontece uma vez e você nem percebe, e se apressa pra ir embora. Na verdade, se você soubesse que não iria se repetir, teria inventado qualquer desculpa pra demorar mais um pouco.

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