A porra do ônibus nunca chega. Não importa se saio de casa uma hora e meia antes do meu compromisso, ele nunca aparece. Primeiro, um pequeno desespero. Tento ignorar. Só consigo por uns dois minutos, que força de vontade a minha. Os dentes começam a ranger, palavras obscenas saem da minha boca e as pessoas ao meu lado me olham de um jeito estranho. Ódio, ódio. Ódio de todo mundo que fez raiva durante a semana, ódio de mim, por estar esperando por uma coisa que está completamente fora do meu controle, da Luisiane LIns, por não mandar esses motiristas fedorentos do Parangaba Papicu pararem de fazer tanta hora...ódio que depois de 15 minutos de astraso se transforma em tristeza, vontade de chorar, de ir pra outro lugar, de encontrar algum amigo, de receber uma ligação...mas ninguém liga. Uma carona me salva de um atraso maior do que 5 minutos. E tudo sai bem, e o ódio que me engasgava já foi porcessado pelo suco gastrico e pronto, nem parace que existiu. Está tudo bem. E volto pra casa satisfeita.
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