Dia desses li uma coluna sobre a Natasha, aquela menina que passou 8 anos sequestrada, e sobre como ela foi maltratada pela opinião pública e pela própria polícia por ter se negado a se submeter à uma espetacularização da sua desgraça. Ela conseguiu, de uma forma impressionantemente madura, analisar e superar o que aconteceu com ela, além de ter sido capaz de perceber o quão doentia a sociedade ocidental atual é, mesmo estando isolada dela desde os 10 anos de idade. A Natasha fala em seu livro sobre como, por mais que ela não escondesse nada da imprensa, esta sempre tentava criar alguma coisa mais terrível do que o que tinha realmente acontecido.
Ela diz ter dobrado o número de clientes depois de ter começado a escrever seu blog. Teve até que contratar uma secretária, já que não tinha tempo de atender as ligações entre um cliente e outro. Particularmente, não acho ela bonita. Parece que ela não tem movimento no pescoço, sei lá. O motivo da fama então é a propaganda, o espetáculo.
E aí eu escuto sobre o tsunami no Japão. Busco um vídeo e vejo um, num portal de comunicação daqui do brasil, que repete várias vezes a cena de uma família bolando no banco de trás de um carro que está sendo arrastado pela onda. A repórter ainda fica enfatizando o desespero que a família provavelmente estava sentindo e repete "Podemos ver que há pessoas no carro". Pare pra pensar. É muito provável que houvessem várias pessoas em TODOS os carros da imagem. Por que então se chocar tanto com um dos carros?
Parece que não temos mais criatividade de nos colocarmos no lugar do outro. Precisamos ver o sangue escorrendo pra sentir alguma coisa. Daí a necessidade de repetir a desgraça de forma exaustiva. É como se uma seta com lâmpadas em neon vermelho apontasse piscando "sintam, sintam".
Mesmo assim, mesmo com as caras de assustados, com os "meu Deus!" diante da notícia no jornal, muito pouco se sente de verdade.
Bruna Surfistinha.
Ela diz ter dobrado o número de clientes depois de ter começado a escrever seu blog. Teve até que contratar uma secretária, já que não tinha tempo de atender as ligações entre um cliente e outro. Particularmente, não acho ela bonita. Parece que ela não tem movimento no pescoço, sei lá. O motivo da fama então é a propaganda, o espetáculo."O homem também gosta de ser mulher, de ser passivo. Eu também já brinquei muito dizendo que eu era o Bruninho...com o meu brinquedinho de plástico." Bruna Surfistinha no "De frente com Gabi."

Um comentário:
o medo vende.
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