quarta-feira, 23 de março de 2011

Vegonha

Sou totalmente contra disfarçar sentimentos, mesmo que depois eles te causem vergonha ou arrependimento, afinal, não é assim que aprendemos e superamos as coisas traumáticas?
Me arrependo de todas as vezes que senti ciúmes e disfarcei, que quis beijar e não beijei, que um "eu te amo" veio na ponta da língua e não saiu, ou que um "vá pra puta que pariu" foi reprimido.
As emoções fazem parte do que somos, e disfarçá-las não nos torna mais adultos ou sensatos, nem menos "animais". Apenas nos fazem mais hipócritas e cínicos, por isso agradeço por ainda sentir ódio e amor.
"Do que adianta ter sorte no amor e azar no jogo, se o amor é um jogo e jogo não é o meu forte?"- Trecho de uma poesia recitada por Pedro Bial no último paredão.
Professora, porque "ódio" veio primeiro?
Meu aluno, por que ódio é mais forte e mais frequente.
O que as pessoas chamam de amor morre com facilidade.
Não falo só do amor heterossexual dos contos de fadas, mas do amor entre amigos, entre parentes, entre os seres humanos e os animais.
Quando adotei minha cachorrinha, há 2 aniversarios (estava fazendo 23, eita!), fiquei muito triste com várias histórias de cachorros que viveram com pessoas por 10, 15 anos, e agora, na sua velhice, estavam sendo descartados. Que humanidade, hein? Também, fazemos isso até com nossos pais.
Meu namorado na época (morávamos juntos) até me pediu para devolver minha cachorra depois de descobrir que ela fazia cocô e xixi, mas eu nunca aceitei. Isso nunca foi uma possibilidade para mim. Eu escolhi tê-la comigo e, a partir daquele momento, ela seria responsabilidade minha por toda a vida. Voltei pra casa da minha mãe e aqui está ela. E quando eu sair, ela vai comigo.
Na minha família tem casos de pessoas que deram um dos filhos para ser criados por uma irmã, tia da criança. Imagina o que isso não gera na cabeça do pobre? Porque só ele foi dado e os outros 10 foram criados? O que ele tinha de tão ruim? Enquanto os outros membros da família criticam a falta de amor desse filho "doado" pelos pais biológicos, mesmo depois de tanto tempo, eu respeito essa dor.
Fazer coisas erradas faz com que a gente aprenda e se torne melhor.
"O caminho dos excessos leva ao palácio da sabedoria"- William Blake.
É sério. Se você faz um monte te coisa errada com os outros, você se torna uma pessoa mais tolerante. Como ser cara de pau o suficiente para se ofender se sua ex-namorada fica com um amigo seu se você a corneou e já ficou com amigas de outras de suas ex-namoradas? Você vai perdoar e tolerar a situação, a não ser que você seja cinicamente hipócrita.
Os sentimentos, comecei falando sobre eles, não foi?
Adoro tirar fotos, pena que a câmera que tenho agora é muito ruim.
O problema é que perco fotos ótimas, às vezes por causa do reflexo no vidro, às vezes pela falta de rapidez e outras por simples vergonha de sacar minha câmera naquele lugar, naquela hora.
Pra que isso? Me pergunto logo depois de perder a oportunidade.
Tenho uma prima adolescente que está morando em Sobral. Foi morar lá a pouco tempo, está tendo dificuldades pra se adaptar às escola, é negra e os "coleguinhas" frescam com o cabelo dela. Se ela soubesse que isso é besteira, que talvez o menino que mais fresca seja um infeliz que na verdade é afim dela. Se todos os adolescentes soubessem?
Eu tenho vergonha poucas vezes. Procuro lutar contra a vergonha, contra os tabus, talvez por isso seja tão arrengueira.
Percebi que, quando conheço uma pessoa, geralmente faço questão de parecer mais trash do que sou.
Talvez seja uma técnica pra espantar, ou para selecionar, não sei. Eu deveria não dizer isso, conservar o mistério, não é?
Detesto mistério, gosto logo de ver como é.
Não gosto de jogo.
Me arrumo alguns dias, e outros não. Não sou cheirosa o tempo todo, mas é assim que eu sou.
É assim que eu sou e não tenho vergonha disso.
Não tenho vergonha de dar vexame, de errar. Na  verdade tenho mais vergonha de meu auto-elogiar do que de fazer o contrário.
Gosto de trabalhar viajando, de conhecer pessoas diferentes, mesmo que as amizades não sejam alimentadas o suficiente para durarem.
Gosto das coisas efêmeras também, elas podem ser gostosas.
Só não gosto de pessoas grosseiras, por isso tenho tentado não ser uma delas.
Com tantos terremotos, inundações, tsunamis, etc, já era hora de termos aprendido a sermos legais uns com os outros.
=)


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