Busquei pelo livro na internet, e assim que soube onde encontrá-lo, fui até lá. O preço? Trinta e dois (para mim, quase milhões, mas não pude resistir). Pensei antes de pagar: tem que valer a pena. E valeu cada suado centavo que gastei em busca de prazer literário. Gosto do Bukowski, de certa forma ele ( Daniel Galera) me faz lembrar do velho safado, mas não chega a ser muito parecido...há um não sei o que de diferente, que faz com que esse "Até o dia em que o cão morreu" seja muito bom. Foi a primeira vez que comprei um livro de um cara não renomado. Gostei, recomendo, e acho que eu deveria fazer isso mais vezes. Tantas quantas meu salário permitir.
Da narrativa, bem , não posso evitar comparações entre o livro e o filme, não posso também evitar afirmar que o livro é bem mais massa que o filme, que algumas cenas foram cortadas, e que isso me fez construir as personagens na minha cabeça de forma um pouco diferente. Mas há sempre vantagens em ver o filme. Por causa dele tive acesso ao livro.Ele não é muito longo, não deve ter mais de 100 páginas, por isso leio devagar, como quem não quer que acabe. Nele, entendi melhor as razões que explicam essa estranha relação da modelo sonhadora com o tradutor desempregado, que odeia sonhos distantes e evita ao máximo se relacionar com os outros. Explica que não tem telefone porque se tivesse, ficaria decepcionado nos dias em que ninguém ligasse, e se recebesse algum telefonema, ficaria puto por estar sendo importunado.
Ciro, personagem principal, parece comigo, e com você, e com ele, e com ela. Os questionamentos, a apatia justificada, o desprezo pela modelo que aparece duas ou três vezes por semana, sem que ele tenha, nem se quer uma só vez, pedido que ela voltasse, e o cachorro vira-latas, que deu um jeito de chegar ao apartamento de Ciro, no décimo sétimo andar...a liseria, o desprezo pela busca de status. Ciro é um dos nossos.




