domingo, 27 de março de 2011

Invasão do mundo

É incrível como os americanos se sentem tão superiores que acham que os únicos inimigos capazes de desafiá-los numa guerra sejam seres alienígenas super-poderosos. Nos meus tempos de infância, os inimigos nos filmes de ação tinham sempre um sotaque esquisito. Russos, alemães, árabes, encabeçavam o times de inimigos estereotipados.
Cresci vendo Ramboo e MacGuyver, heróis bizarros que trabalhavam sozinhos para promover a paz. Ramboo derrotavou todo um exército de vietnamitas com sua faixa vermelha no cabelo, sua faca entre os dentes e uma metralhadora, enquanto MacGuyver explodia galpões inteiros com bombas feitas de fiapos.
Como agora seria muito politicamente incorreto pintar o estrangeiro como inimigo num país recheado deles, o que restou foi designar o papel de vilão aos alienígenas, que não estão aqui para se defender.
Vi um filme, Invasão do mundo, que me fez pensar sobre o quão hipócritas os filmes de guerra americanos podem ser. Na verdade, não lembro de ter visto nenhum filme de guerra que não fosse americano.
Criancinhas chorando, um pai que morre pedindo que o bravo soldado salve seu filho, e outras cositas mas fazem parte dos chichês do filme.

Frases como "eu preferiria estar no Afeganistão", "Como eles não tentaram fazer contato nem fizeram nenhuma exigência, está claro que vieram por nossos recursos" e "Meu filho é otimista, achou que poderíamos conversar com eles", reafirmam a americanidade do filme, afinal, que país invade os outros e inicia uma guerra após a outra sem nenhuma justificativa ou tentativa de acordo? O cenário é composto basicamente por ruas destruídas e naves espaciais sobrevoando o local e, de vez enquando, disparando rajadas de tiros em proporções que chegam a ser irritantes de tão exageradas. Como a maioria dos filmes que se propõem a faturar na bilheteria nos EUA, esse cumpre a cota de negros, latinos e mulheres no elenco.
É notável que o diretor quis comover os espectadores com a imagem de soldados que estão dispostos a salvar civis inocentes dando suas próprias vidas, tudo para defender o mundo e seu país (adivinha que país). Os pobres dos ETs mal aparecem. Quase sempre em tomadas distantes, eles mais parecem robôs à lá Independence Day. Dá até pra imaginar que as naves dos ETs são,na verdade, caças americanos, e que os soldados sobreviventes da resistência são iraquianos, espantados e desesperados lutando por suas vidas. Deve ser assim que eles se sentem vendo um monte de mísseis caindo sobre suas cabeças e destruindo tudo pela frente sem poder fazer quase nada.

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