Ganesha tem os olhos pequeninos para demonstrar seu foco e concentração, duas orelhas grandes para escutar mais e uma boca pequena para falar pouco e assim poder aprender muito e armazenar todo seu conhecimento e sabedoria em uma grande barriga.
Sick and Tired.
Como um ser pode exigir tantas conquistas se, com o dobro da minha idade, ela não conseguiu nem metade do que eu já consegui? Não que eu me ache...mas se eu não achar que passar na porra de um mestrado, se professora de uma universidade, e ser financeiramente independente são coisas massa que consegui, então vou acreditar no que ela me diz (quase todo dia): que minha vida não está boa e que eu dou motivos para ela ter vergonha de mim.
Quer saber, eu tenho orgulho de mim. Não preciso que ninguém mais tenha. Mas é deprimente demais ouvir essas coisas que me jogam pra baixo o tempo todo.
De agora em diante, ficarei mudinha. Mudinha aqui em casa. Talvez um dia, quando eu estiver bem longe, alguém, além da minha amada cachorra, sinta minha falta sinceramente.
Hoje fui ao velório de uma moça. Eu não a conhecia. Na verdade, ela era aluna de uma amiga e tinha mais ou menos a minha idade. Talvez fosse um pouco mais jovem. Ele estava lá, no caixão. O rosto com hematomas e um corte bem grande no queixo. Acidente de moto. Lá pelas cinco da manhã de hoje ela postou uma foto numa festa. Um copo de vodka na mão. Voltou com uma amiga (que estava sem capacete, mas sobreviveu) e bateu num poste.
Morte.
A morte sempre me faz pensar. Quantas vezes eu já não quase morri, seja por imprudência minha mesmo, por acaso, ou por desejo dos outros ?
E se eu tivesse morrido?
Sempre imaginei como seria meu enterro, quem estaria lá, o que as pessoas falariam. Acho que é influência do YuYu Hakusho (em um dos primeiros episódios o Yusuke presencia o próprio velório). Acho que deveria me esforçar mais para ser agradável, para levar o bem a outras pessoas. Às vezes me sinto tão pesada, apesar de frescar e acabar fazendo as pessoas rirem.
Aqui em casa as coisas não estão muito boas. Estou cansada de ouvir piadinhas da minha mãe sobre meus amigos que, segundo ela, são todos estranhos, e/ou viados e sapatas. Estou cansada por ser criticada na cara por estar fazendo mestrado e não ter um trabalho (minha mãe não entende que recebo uma bolsa para estudar. Acho que se eu ficasse quebrando pedras com uma marreta, ela acharia que eu estou fazendo alguma coisa mais útil). Estou cansada de ouvir coisas como "começa em uma cerveja, os amigos oferecem....logo a pessoa sente vontade de beber...chega a beber em um bar".
Parece que ela tá falando de pedra!
"Beber em um bar!!!!"
Que coisa mais terrível e vil para uma pessoa de 26
anos que paga suas contas fazer! Enfim, não quero que minha mãe aceite que sim, eu tomo cerveja de vez em quando. Não é esse o meu objetivo. O que me incomoda é que TUDO que eu faço é motivo pra reprovação e NADA merece um elogio. Sou um estranho no ninho, sou Gregor Samsa vivendo acuado em um quarto como se fosse um inseto. As pessoas me atacam aqui....minha mãe, meu irmão...o que quase nunca o faz (só quando gravemente influenciado pelos outros dois) é meu pai. Meu pai é uma figura muito inteligente. Há anos ele optou por quase não falar com a família. No começo isso me incomodava. Sentia como se não o conhecesse. Tinha vergonha que conversar qualquer coisa com ele. Mas hoje eu entendo perfeitamente que se trata de uma estratégia para viver melhor. Desde ontem comecei a utilizar o mesmo plano: só falo o essencial. Já tive uns dois picos de raiva e quase estraguei tudo. O que me fez começar meu "voto" se silêncio foi o escândalo que meu irmão deu ontem. Meu irmão. Aquele cujas reuniões de escola eu frequentei, aquele pra quem dei uma guitarra, um amplificador, caronas, pra quem indiquei leituras...Ele surtou. Me chamou de rapariga, quenga, quis me bater. Isso enquanto usava MEU computador. Um computador. Pode não significar nada pra vocês, mas eu entrei na faculdade, estava quase na metade do curso, e não tinha um computador. Tinha que pedir pros amigos me deixarem digitar os trabalhos nas casas deles. Era muito trash, e, na época, era caro pagar pra alguém fazer isso. Arrumei meu primeiro emprego e comprei um computador. Meus pais JAMAIS teriam me dado um. Depois arranjei mais grana e comecei a pagar internet e tal. Pra mim foi uma conquista, um grande esforço. Ouvir aquele pivete mimado me chamando dessas coisas e usando daquilo que suei pra conseguir (pra trabalhar/estudar, não pra ver pornografia como ele) me irritou profundamente. Tão profundamente que parei de discutir e fiquei calada. E é assim que pretendo ficar FOREVER. Algum pedido de desculpas? Não. Minha mãe presenciou a briga e tentou me culpar. Pedido de desculpas depois? Não. Tô cansada de ouvir como meu comportamento é terrível para uma mulher, como eu deveria estar preocupada em me casar, como eu deveria trabalhar e estudar menos para poder ir para a igreja. Estou cansada de minha mãe mandar eu trocar de carro se ela sabe que não consegui nem sequer pagar a porra do carro velho que eu dirijo! Estou Cansada.Sick and Tired.
Como um ser pode exigir tantas conquistas se, com o dobro da minha idade, ela não conseguiu nem metade do que eu já consegui? Não que eu me ache...mas se eu não achar que passar na porra de um mestrado, se professora de uma universidade, e ser financeiramente independente são coisas massa que consegui, então vou acreditar no que ela me diz (quase todo dia): que minha vida não está boa e que eu dou motivos para ela ter vergonha de mim.
Quer saber, eu tenho orgulho de mim. Não preciso que ninguém mais tenha. Mas é deprimente demais ouvir essas coisas que me jogam pra baixo o tempo todo.
De agora em diante, ficarei mudinha. Mudinha aqui em casa. Talvez um dia, quando eu estiver bem longe, alguém, além da minha amada cachorra, sinta minha falta sinceramente.

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