Muitos conhecem Lolita, romance inglês escrito por Vladmir Nabokov, publicado pela primeira vez em 1955. A adaptação para o cinema por Stanley Kubrick deixou a obra ainda mais famosa, mas poucos sabem que aqui no brasil um romance com um enredo tão ousado quanto foi lançado anos antes.
Quando Mário Donato lançou PRESENÇA DE ANITA, em 1948, vivenciou dias de glória e de muita polêmica. Aclamado pela crítica como inovador, ousado e erótico, o livro provocou a ira da Igreja que ameaçou excomungar o autor . Um grupo de senhoras de Campinas organizou um abaixo-assinado contra a publicação e seu criador, tornando Donato persona non grata em sua cidade natal.
http://www.editoras.com/objetiva/389-9.htm
Na verdade, apesar da série da Globo ser baseada, pelo menos na minha opinião, muito mais em Presença de Anita do que em Lolita, a influência estrangeira parece muito mais forte. Num gosto disso não. Acho que a obra de Mário Donato merece muito mais atenção do que recebeu. Aí vai um trecho de Presença de Anita:
Morrer, morrer, morrer lhe parecia simples e fácil e desejável depois de tanto! Só lhe
enojava ter de tomar uma decisão, violentar-se para querer alguma coisa, a última coisa.
Hesitava diante da fronteira, através da qual queria ser precipitado sem vontade própria e
mesmo incapaz de impedi-lo, dando-se e não tomando. Anita já não era assim: sempre queria
coisas e caminhava para elas, cheia duma decisão que a princípio invejara, mas que agora o
irritava. Anita, veemente. Anita agarrara-se à idéia e já vivia em função dela intensamente,
cega na sua paixão, paixão não por ele, que era um objeto acidental e Anita morreria por
qualquer coisa, - a paixão pela paixão.

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