segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Feminismo e carros tunados

"Mulheres cuja sexualidade não tem freios são perigosas. Maléficas, assemelham-se a feiticeiras, dotadas de "vúlvas insaciáveis". Mesmo quando ficam velhas, fora da idade permitida para o amor, as feiticeiras têm reputação de cavalgas os homens, de tomá-los por trás, o que, na cristandade, é contrário à posição dita natural: em suma, têm reputação de fazer amor como não se deve fazer."

"Misteriosa, a sexualidade feminina atemoriza. Desconhecida, ignorada, sua representação oscila entre dois pólos contrários: a avidez e a frigidez. No limite da histeria."

Esses são trechos de Minha história das mulheres, de Michelle Perrot. Já falei um pouco sobre o livro um dia desses. Sempre riu quando leio essas partes sobre sexualidade feminina. Parece coisa tão ultrapassada, mas ainda acho que é uma verdade, infelizmente. Não queimam mais mulheres na fogueira, mas ainda somos muito "queimadas" pela sociedade.
E eu, que sempre fiz questão de ser muito feminista, até mesmo quando era criança e não sabia nem o que era isso, me orgulharia em dizer "ainda tá pra nascer o homem que vai me fazer lavar cuecas", mas já nasceu.
Sim, já lavei cuecas, já passei camisas, já cozinhei e lavei o chão e o banheiro só para agradar meu companheiro que, no momento de maior dificuldade, mostrou que de companheiro não tinha nada. Jamais imaginaria, em toda a minha vida, principalmente por sempre ter defendido um posicionamento tão diferente, que me esforçaria para ser a "esposinha", mesmo trabalhando e estudando, e pior, seria criticada por não fazer o papel de mulher perfeita e que me sentiria mal por isso.
Hoje os tempos são outros, mas aqui e acolá me pego quase me submetendo ao velho papel novamente. Às vezes confesso que exagero em não querer depender de ninguém. As pessoas interpretam como se eu não quisesse depender de homem, só porque sei que preciso verificar a água e o óleo do carro todas as manhãs. O grande problema não é não querer depender de HOMEM, é não querer depender de NINGUÉM. Esse é o meu grande erro, mas, muitas vezes, meu grande acerto. Sempre digo que nunca consegui entender as meninas que queria namorar um cara que tivesse carro. Eu sempre quis ser a pessoa que tivesse carro. Sempre quis diigir, acho o máximo (não que eu não goste de pegar carona). Se pudesse teria um carro daqueles tipo velozes e furiosos, acho lindos, mas não ficaria com uma pessoa só para das uma volta em um deles. No way.
Fico tentando encontrar um equilíbrio entre ser independente e ser "a senhora não preciso de ajuda". Todo mundo precisa de ajuda, todo mundo tem seu momento "criancinha que caiu e machucou o joelho", mas confesso que detesto me pegar fazendo o papel de "compreensivinha e agradável".






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