Eu não sei o que fazer.
Típico, eu mesma respondo.
Fim de ano. Pessoas apressadas empurram-se pelas ruas do centro em busca de presentes para si mesmas, para outros, ou apenas para saciar o apetite de seus olhos. Crianças chamam pisca-piscas de “natal”.
Eu caminho, cansada, com fome, decepcionada, não com a vida ou com o mundo. Na verdade, ambos foram bem generosos para mim esse ano. Foi um período de acertos, de me situar no mapa e traçar novos caminhos, mas até que ponto esses caminhos são novos?
Tenho vários desejos. Desejos de sim e de não. De dizer não às coisas que não consigo mais suportar, como a obrigação de terminar a especialização. “Pensa no título, teu salário vai aumentar.” Na verdade, meu salário só aumenta se, daqui a um ano, eu tentar concurso pra substituto novamente e passar, e não é isso que pretendo. Pretendo fazer mestrado em literatura. Pretendo sim, de verdade, não só por comodidade, ou por falta de opção, como pensava antes. Vou tentar tudo o que aparecer. Talvez ache um sim no meio de tantos nãos.
Preciso de descanso pra minha cabeça, parar de perder tempo com o que não leva a nada.
Parece idiota, mas sempre termino o ano fazendo reflexões, igual a todo mundo.
Dia desses vi uma cena de “Sociedade dos poetas mortos”. Carpe diem, ele disse. Seize the Day.
O que significa isso? Correr nu pelas ruas por que a vida é curta?
Não.
Significa fazer com que cada dia seja espetacular,já que, cedo ou tarde, cada um de nós morrerá. Somos ração para vermes, Shakespeare já dizia em Hamlet, o primeiro emo.
Me sinto um tanto quanto maníaca por lembranças. Sempre dizia que tinha memória ruim, mas me livrei do hábito de falar coisas negativas sobre mim mesma, pelo menos relacionadas à memória. Numa tentativa de prender as memórias, comprei uma câmera fotográfica. O experimento funcionou. Encontrei hoje um vídeo da véspera de ano novo, de 2008 para 2009. Uma casa diferente, uma companhia diferente, meu cabelo tava diferente, minha dançinha ouvindo Bob Marley era diferente.
E os meus desejos para o ano novo, cheios de coisas que não voltam mais, de pessoas que não existem mais, mesmo que você as encontre ou fale com elas. Veio uma lembrança, uma frase clichê...algo tipo “é preciso abrir mão do que se tem para poder pegar o que há de vir.” E quem não tem nada, o que faz?
E, mesmo depois de tanta reflexão, ainda não sei o que fazer.
“Típico.”

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