quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O caos na cidade

"Tu tá aonde? Tá fazendo o que que não tá com tua câmera cobrindo o caos na cidade?"
Depois dessa ligação refleti sobre o sentido da minha vida e sobre a utilidade das câmeras e da mídia "livre" que temos por aqui. Posso vir aqui, escrever o que quiser, falar bem ou mal de quem eu quiser. Sou livre! Posso filmar as pessoas da rua, fotografar do alto dos prédios e mostrar os produtos do real à outros loucos, que como eu, se sentem atraídos por isso, pelo caos. Aqueles que enxergam a beleza do beco na poeira, que se encantam pelo pop da praça José de Alencar. Chega de tanto "o Benfica é o centro da cultura." O que tenho visto pelas minhas andanças é que desde meados de 2004, a cultura que se mostrava por maracatus e cortejos pelas ruas do Benfica andam arquejando. Para não dizer que já morreu, vi umas 2 manifestações, uns 2 suspiros pelas ruas. Do que serve tanta sabedoria se ela é para ficar trancada no cabeção de uns poucos egoístas nem um pouco humildes? Do que vale internet sem fio se não se compartilha a senha? Do que serve seu corpo se ele é para ser tratado como um fruto proibido que não pode ser tocado (estiquei a baladeira, referência a "Bliss", ou "Felicidade", um conto da Mansfield)? E do que vale uma greve se os motoristas vão voltar a trabalhar feito escravos em menos de uma semana? Para mim é, e sempre foi (pelo menos na maioria dos assuntos) "ou fode ou sai de cima". Ou faz logo o mal, ou deixa quieto. Se é para mudar, então seja radical. Nada de aparar as pontas, raspe logo o cabelo no pente 1.

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