quarta-feira, 2 de abril de 2008

Tempo, tempo tempo tempo


O fato de saber que escrevo apenas para mim mesma, apesar de estar postando num blog, não me deixa mais a vontade para especificar os detalhes das causas do que sinto agora. Posso dizer apenas que várias coisas que eu não esperava, nem ao menos acreditava que fossem passíveis de acontecer caíram todas sobre a minha cabeça. Tenho um problema de estômago, não costumo digerir tudo facilmente.
Para ser mais específica, demoro muuuuito tempo para me dar conta do real significado das coisas que se passam comigo.
Só sei hoje que tudo o que me aconteceu no último mês, serviu para me fazer sentir mais solitária. Sem uma mão pra me segurar evitando que eu escorregue( que nem num capítulo da malhação que vi um dia desses). Sabe aquela angústica que te dá quanto te dizem "vá embora", e você fica com raiva e tristeza de uma só vez, dá as costas e sai, mas depois de dois passos, lembra que não tem aonde ir. E o pior é que está chovendo, e você não pode simplesmente ficar caminhando pelas ruas até tudo se acalmar, como fazia antes. Não há mais um quarto para se trancar e ler, escrever o que está pensando. Nem a casa existe mais. A casa com um quintal enorme na frente, plantas, flores, folhas pintadas de ouro. O sofá que servia como colina na brincadeira com o irmão. Nada existe mais. Nem o irmão. Muito ocupado, dois filhos, uma mulher meio rabugenta ( foda-se se ela chegar a ler isso). E o irmão mais novo, amo. Mais não sou mais a mesma, nem posso ser. Queria leva-lo a milhares de lugares, que ele ainda não pode frequentar, queria passar as tardes com ele, mas tenho que tranalhar...tempo...inimigo sorrateiro, leva tudo o que há de bom na vida, sem nos deixar perceber.

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