quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quente

Uma cidade quente. Você já ficou brincando de pingar cera derretida nos seus dedos e esperar secar? Sabe a sensação de pele esticada e ardor que fica depois? É assim que eu sinto meu rosto.
Muitas pedras (pedras não! Monólitos- diria o professor Chapatin). Parece meio bizarro ir a um lugar para ver pedras, mas as pedras aqui são incrivelmente belas. Tons de cinza, o clima seco, o verde das plantas, as cores das casas, os rostos das pessoas enquanto esperam pelo ônibus na rodoviária. E eu aqui, fazendo um envelope de diário de bordo.
Que arrependimento, não trouxe câmera. Também não trouxe ninguém.
Uma velha vestida com uma blusa vermelha de malha, cabelos bem curtos, esbranquiçados, de rosto enrugado, cospe. Um fio de cuspe permanece pendurado no canto de sua boca. Ela se aproxima de um dos que esperaram na rodoviária e diz:
- Meu filho, tem uma moeda que me dê?
Ele só olha e ,alguns segundos depois, balança a cabeça dizendo que não.
A velha limpa o fio de cuspe que escorre pelo espaço entre seus poucos dentes com as costas das mãos. Em seguida, com a mesma mão, toca outra pessoa. 

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