terça-feira, 13 de julho de 2010

Casamento da Fernada, reflexões e copa

         Acho que devo ter uma veia artística. Pelo menos as ânsias e depressões criativas eu tenho. É estranho como as palavras ficam presas na minha garganta, chegam a causar dor, um engasgo, mas logo são reprimidas pela minha autocensura. Sinto falta de sentir algumas coisas. E que falta faz um copo de cerveja bem gelada, ou uma cachaça com limão e sal pra tirar o gosto amargo da vida.
        A Fernanda se casou. Foi muito lindo o casamento. Eu até peguei o buquê, que na verdade não era um buquê, mas um santo Antônio feito de pano. Ela estava excepcionalmente linda, de véu e grinalda, algo que talvez eu criticasse em outra pessoa. Mas ali não havia espaço para nada negativo, só admiração e um sorriso que brotava na minha cara sem que eu me dessa conta. Pensei que faz uns oito anos que somos amigas, que realmente a considero minha amiga, e que a felicidade dela me deixava feliz.
       Essa semana pensei, sem nenhum motivo que o meu id me revelasse, no significado de gostar de alguém.  Li o texto do Nonato sobre algo que ele já tinha me falado pessoalmente, a copa como marco temporal. Parece até tema de dissertação.  Lembrei que o Emmanuel comentou que eu não gostava de jogo de futebol. “Valha. Por quê?”, perguntei.
“Por que a gente não assistiu nenhum jogo na copa passada.” Eu ri da resposta dele. Era começo de namoro. Nós não tínhamos motivo para perder tempo assistindo jogo.
       Tem um peso enorme que me puxa em direção ao solo, às lágrimas, à loucura. Pensei em voltar às artes cênicas. Talvez amanhã passe lá pelo CEFET para saber se eles aceitariam a filha pródiga.

“A arte das artes, a glória da expressão e os raios solares da luz das letras estão na simplicidade. Nada é melhor que a simplicidade... nada pode compensar o excesso ou a indefinição.”
Folhas de Relva- Walt Whitman

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