Não trabalho as às sextas, pelo menos não agora. Só tenho uma aula particular muito light com duas alunas que adoro, mas elas ligaram avisando que hoje nosso encontro não seria possível. Depois de ser dispensada, assisti um filme indicado por um amigo, Nome Próprio, o qual pretendo comentar quando estiver mais inspirada.
Mais tarde fui dar uma volta pelo bosque e só me senti mais solitária. O que estava fazendo ali sentada, numa sexta a noite? Não estava completamente louca, realmente tinha motivos para estar ali: aguardava alguns amigos para dar umas voltas sem destino. Apesar de minha presença estar justificada, ainda estava cedo demais para fazer valer a justificativa. Sentei-me próximo de um grupo de amigos. Provavelmente recém aprovados no vestibular, felizes e satisfeitos. Faz tempo, pensei. Me dei conta de que não senti o tempo passar. Algumas vezes me pego dizendo "estou ficando velha", mas quando digo isso é porque já estou.
2009
Fui morar com meu namorado, estávamos juntos há 3 anos. Era novembro. Esperamos ele voltar de uma viagem a SP para nos mudarmos para nossa casa recém alugada, ainda suja, mas já amada. Compramos fogão, geladeira, panelas, forma de bolo. Eu adorava fazer bolos no começo, fiz até um pudim. Um dia, na verdade, numa noite daquela época o George veio bater na porta da minha casa. Fiquei meio desconcertada, o meu "marido" certamente estranharia tal visita. E a visita estava mesmo estranha, acho que ele estava com algum problema. Me pediu um café. Fui mexer nas coisas da cozinha procurando algo para oferecer, falando dos meus bolos e das minha aventuras culinárias. "Tu tá adorando isso", ele observou. Nunca vou esquecer essa frase. Era mesmo verdade, eu estava adorando brincar de casinha. Gostava tanto que nem me dei conta do papel que estava fazendo. Lava roupas a tarde antes de sair pra trabalhar, e depois de voltar da aula. Isso não era de todo desagradável, mas o tempo me cansou. Cheguei até a me sentir culpada por não dar conta de tudo ( estudar, trabalhar, lavar roupas, limpar a casa, cozinhar e pagar contas). Até que numa bela manhã, antes de sair para dar aula por volta das seis da manhã, fui surpreendida com uma pergunta. "Tu passou minha camisa?" Respondi: "Não passei, mas lavei. Levanta mais cedo e passa." ( Eu trabalhava às 7 e eles às 9.)
"Eu não casei com uma mulher pra ela não lavar minhas camisas!"
...
Quem tem lido minhas historinhas ultimamente deve estar achando que estou obcecada com essa conversa, mas quem não está?
Quem nunca pensou em viver com alguém, em dividir suas coisas, seu espaço?
Eu era idiota? ( isso é uma pergunta retórica.) O que eu iria ganhar além de reprovação e reclamação pelos "serviços" mal feitos? Sei que soa feminista-clichê, mas o fato de eu ser mulher não me obrigada automaticamente a fazer as tarefas doméstica, ou a ser submissa e idiota.
Mesmo sabendo disso me encaixei nesse perfil que sempre repugnei. Depois acordei, vi que era um caminho sem volta e fui embora. Logicamente não foi tão fácil assim. Na verdade a sequência seria: fui amélia, acordei, pensei que não tinha problema continuar sendo amélia, me decepcionei, e fui embora.
Percebi que tudo isso aconteceu por eu não saber encarar a solidão. Eu, a senhora "forte", rainha da cocada preta, não sei ficar só. Não sossego. Preciso de um "como foi o seu dia?", "o que tu tá fazendo agora?", de uma ligação pra dar boa noite.
Esse é uma das minhas metas para esse ano, tipo promessa de gorda pra fazer dieta. Quero aprender a viver sozinha. Tenho zilhões de coisas mais importantes pra me preocupar. Chega dessa história de "amor". Isso é coisa de adolescente com tempo ocioso, ou de solteirona à beira da menopausa.
Lerei, isso mesmo. A partir de agora meus pensamentos teimosos e fujões serão ocupados com muita leitura.
4 comentários:
Vc escreve bem melhor quando ousa se analisar com a faca do cinismo. Adorei.
Sua meta para esse ano é nobre - mas já adiantando algumas fases, um belo dia tu vai postar aqui o um texto sobre o primeiro raio de sol na cara ao lado do possível novo grande amor. I do believe. E eu sei que you too.
;D
addoooorrroooo!!
mas cuidado com promessas do "momento revolta" pq perdeu a ilusão de uma vida q vc achava q era boa mas acordou. no mais curta as suas vontades. o desejo de ler muito e mais é otimo. louvável. por experiência própria, traz muita coisa nova e muitas sensações q pensava nao existir ou nao poder sentir mais. vontade de t v e conversar. orgulhoso por v vc assim.. sei la.. fazendo isso aq.
bjos e se cuida.
ah! releia alguns e corrija certas coisas.. nao é obrigada a fazer isso.. é so pq néé.. sei la.. rsrsrs nao custa nada.. =D
bjim
ps. se quiser me mandar pra pqp pode mandar.. \õ/ kkk
KKK
Tenho meus momentos "analfabeta" mesmo, mas farei isso, sem "pqp".
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